O afastamento durante um conflito pode ser uma ferramenta saudável de regulação emocional ou uma forma de punição, dependendo da comunicação envolvida. Segundo psicólogos, a diferença fundamental reside na existência de uma explicação e de um prazo definido para a retomada da conversa, evitando que o parceiro sinta rejeição ou incerteza.
A psicóloga Rachel Needle afirma que o silêncio saudável ocorre quando a pessoa explica a necessidade de espaço e oferece a garantia de que o diálogo não terminou. Expressões como “preciso de um tempo para me acalmar, podemos retomar isso hoje à noite?” dão propósito ao silêncio e estabelecem um ponto final. Já a retirada sem explicação deixa a outra parte tentando compreender o erro cometido.
As motivações para o silêncio variam. Algumas pessoas desligam-se por estarem emocionalmente sobrecarregadas ou por não saberem lidar com emoções difíceis. Em outros casos, o silêncio é usado como alavanca para pressionar o outro a pedir desculpas ou recuar. Independentemente da intenção, o impacto gera ansiedade e sensação de exclusão.
Para lidar com a situação, a recomendação é enviar apenas uma mensagem clara e calma, nomeando o que foi observado sem fazer acusações. Enid Wilson, terapeuta de família, sugere perguntar se há um horário melhor para conversar. Após isso, a orientação é interromper a busca por respostas, pois insistir em ligações e mensagens pode reforçar a dinâmica tóxica ou afastar ainda mais quem evita conflitos.
O ciclo de “perseguição e retirada” acontece quando uma pessoa vê o conflito como ameaça urgente e a outra reage desligando-se. A solução seria tolerar o desconforto da falta de resposta imediata e focar em atividades de aterramento, como caminhar ou escrever, para que o silêncio alheio não determine o bem-estar individual.
Quando a comunicação é retomada, especialistas sugerem abordar o padrão de comportamento com curiosidade e descrever o impacto emocional do sumiço. Avigail Lev, psicóloga clínica, recomenda que casais combinem antecipadamente sinais ou palavras-chave para pausas, definindo a duração do intervalo e quem deve reiniciar a conversa.
A análise de se o comportamento é aceitável deve focar no padrão. Se a conduta muda após ser discutida e há vontade mútua de reparação, a relação pode ser saudável. Caso o silêncio persista ou sirva para controlar o outro, a recomendação é a busca por ajuda profissional ou a reavaliação do relacionamento.

