O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (31), em Asheville, na Carolina do Norte, que o governo de Donald Trump manterá a pressão econômica sobre o Irã. A declaração ocorreu na abertura da reunião de ministros das Finanças do G20, que acontece em meio a ataques mútuos entre Washington e Teerã.
Bessent disse que um ponto de virada na campanha de pressão americana pode ocorrer em questão de semanas ou meses. Segundo o secretário, não é necessário que a economia iraniana entre em colapso na guerra do Oriente Médio para que esse avanço aconteça. A primeira troca de ataques entre os dois países em um mês marca o início do encontro no complexo Omni Grove Park Inn.
A União Europeia defendeu a continuidade dos esforços diplomáticos para um acordo de paz e apoiou a pressão econômica liderada pelos Estados Unidos para encerrar atividades desestabilizadoras do Irã. O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que os membros do grupo discutirão a visão americana sobre o reforço das sanções.
As discussões são conduzidas por Bessent e pelo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. Como presidente do G20 este ano, Washington pretende focar em alternativas para estimular o crescimento, desregulamentação e redução de desequilíbrios comerciais. A pauta inclui a guerra no Oriente Médio, iniciada pelos EUA há seis meses, que causou crise energética e alta de preços globais.
Outro ponto de tensão é a política tarifária de Donald Trump. Apesar de a Suprema Corte ter derrubado a maioria das tarifas, o governo busca impor novas taxas e retomou hostilidades comerciais com o Canadá. Um pesquisador do Atlantic Council afirmou que a falta de unidade no G7 dificulta discussões delicadas no G20, citando a cautela de outros países diante da inflação e dos juros da dívida pública.
O governo americano excluiu a África do Sul das reuniões, sob a acusação de perseguição a agricultores brancos. O Brasil não enviou seu ministro da Fazenda devido a atritos entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. A Polônia foi convidada, enquanto a Rússia será representada por um enviado do Ministério das Relações Exteriores, decisão criticada por funcionários europeus.


