O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos enfrenta um desequilíbrio crescente entre a oferta de títulos de dívida e a demanda de investidores, cenário que, segundo análise de investidor macro global, indica que o país entrou em uma fase avançada de crise de endividamento e risco de instabilidade financeira.
Três eventos recentes sinalizam a deterioração do mercado: a venda de títulos pelos Japão para apoiar o iene, a alta dos rendimentos (yields) de longo prazo acompanhada da fraqueza do dólar e a decisão do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de comprar títulos governamentais para mitigar pressões, apesar da capacidade limitada do órgão.
A situação fiscal atual apresenta uma receita anual de aproximadamente US$ 5,5 trilhões frente a gastos de US$ 7,5 trilhões, resultando em um déficit de quase US$ 2 trilhões. A dívida federal detida pelo público soma US$ 32 trilhões, o equivalente a seis vezes a receita anual ou US$ 240 mil por domicílio americano.
As despesas com juros aproximam-se de US$ 1 trilhão por ano, consumindo cerca de 20% da receita e metade do déficit anual. Somando-se a isso a necessidade de refinanciar US$ 10 trilhões em principal vencido, as exigências totais de serviço da dívida chegam a US$ 11 trilhões, o dobro da receita anual do governo.
A projeção para a próxima década indica que a dívida federal pode subir para um patamar entre US$ 55 trilhões e US$ 60 trilhões, exigindo vendas adicionais de US$ 25 trilhões a US$ 30 trilhões em títulos. Esse volume pressionaria ainda mais os investidores a absorverem ativos governamentais em um momento de queda de demanda.
O processo degenerativo é comparado a ciclos históricos de quebra de ordens monetárias, como as britânica e holandesa. Os indicadores de alerta incluem o aumento dos custos de serviço da dívida em relação à receita, a redução do prazo de vencimento dos títulos vendidos pelo Tesouro e a desvalorização da moeda frente a ativos reais, como o ouro.
Em estágios terminais desse ciclo, governos costumam adotar medidas extraordinárias, como a imposição de controles de capital, fusões forçadas de bancos devido a perdas de liquidez e a proibição de moedas baseadas em ativos físicos. O cenário persiste até que a dívida e a moeda sejam desvalorizadas a ponto de restaurar a demanda ou ocorra uma reestruturação.


