O governo dos Estados Unidos iniciou uma campanha de guerra econômica contra o Irã para forçar a rendição do país após seis meses de conflito. A estratégia, detalhada pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, prevê sanções contra nações e instituições financeiras que mantenham negócios com Teerã ou ajudem a evadir restrições.
As novas medidas expandem o alvo além das exportações de petróleo, atingindo setores de aviação, ouro e ativos digitais. Segundo Bessent, o objetivo é colapsar todas as opções financeiras do Irã. A eficácia da medida depende da adesão de parceiros comerciais, como a China, que compra cerca de 80% do petróleo bruto transportado por mar do país e já alertou que tomará as medidas necessárias para proteger seus interesses.
A economia iraniana já opera sob forte pressão devido a um bloqueio naval dos EUA. A inflação de alimentos atingiu 128% em julho, e o valor do salário mínimo caiu de US$ 105 para US$ 86 desde o fim de março. Na última segunda-feira, a moeda local atingiu a mínima histórica de 2,02 milhões de riais por dólar.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que as medidas punitivas falharão. No entanto, a liderança militar de Teerã sinaliza uma mudança de postura. O general Ahmad Vahidi, nomeado comandante do Corpo Revolucionário da Guarda Islâmica (IRGC) em 10 de agosto, recebeu ordens do líder supremo Mojtaba Khamenei para fortalecer capacidades de operações ofensivas.
Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, afirmou que o Irã pode passar a atacar interesses econômicos americanos se a campanha de sanções for intensificada. Recentemente, em 28 de julho, o IRGC disparou mísseis contra uma base militar dos EUA na Jordânia sem que houvesse um ataque prévio para justificar a retaliação.
No campo logístico, os Emirados Árabes Unidos suspenderam transações comerciais com o Irã em 19 de agosto. Enquanto isso, a Arábia Saudita e os Emirados investem em oleodutos para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz. O volume de petróleo que passa pelo canal gira entre 25% e 50% do fluxo pré-guerra, que era de 20 milhões de barris por dia, mantendo os preços globais próximos de US$ 90 o barril.
Internamente, o governo iraniano teme a instabilidade social. O primeiro vice-presidente, Mohammad Reza Aref, e o presidente Masoud Pezeshkian admitiram que a escassez de bens essenciais e o possível aumento do preço da gasolina podem gerar agitação popular.

