A abertura da reunião dos ministros das Finanças do G20, em Asheville, na Carolina do Norte, foi marcada por atritos entre aliados europeus e os Estados Unidos nesta segunda-feira (31). O motivo foi a confirmação da participação do ministro russo Anton Siluanov, medida que gerou protestos de países que apoiam a Ucrânia.
O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, e homólogos europeus ameaçaram boicotar a foto oficial do evento caso o representante russo participasse. Para Berlim, a presença de Siluanov é uma afronta, já que a Alemanha acusa Moscou de liderar campanhas de sabotagem e ataques cibernéticos em seu território. O ministro russo acabou não aparecendo no registro fotográfico.
Klingbeil afirmou a jornalistas que a recepção do ministro russo envia um sinal preocupante e que preferia uma posição clara dos americanos de que ele não seria tratado como convidado comum. Durante as sessões, o alemão repreendeu Siluanov, exigindo o fim da guerra na Ucrânia. O convite marca uma mudança de postura do governo Joe Biden, cuja secretária do Tesouro, Janet Yellen, havia confrontado autoridades russas em 2023.
Paralelamente, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, lidera a aplicação de um novo pacote de sanções ao Irã e a países que mantenham relações comerciais com Teerã. Bessent refutou a ideia de que os EUA precisariam de ajuda da China para sufocar a economia iraniana, embora tenha dito que planeja pedir aos membros do G20 a revisão dos termos de comércio com Pequim, citando o superávit comercial chinês de US$ 1,2 trilhão.
A tensão econômica se estende a outras frentes. Washington deve impor uma tarifa de 7,5% sobre produtos chineses por excesso de capacidade produtiva. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, defendeu o diálogo e se opôs a medidas tarifárias unilaterais. Analistas indicam que a guerra comercial dos EUA com o Canadá também prejudica a unidade do G7, dificultando discussões no G20.
Outras decisões americanas causaram mal-estar, como a exclusão da África do Sul do encontro e a negativa de credenciais de imprensa para repórteres de veículos americanos. Houve também críticas ao convite exclusivo para executivos de bancos e criptomoedas dos EUA se reunirem com líderes governamentais, recusando a inclusão de empresários de outros países do grupo.


