A advogada Nadia Beller deve prestar depoimento nesta semana como testemunha protegida à Promotoria de La Paz, na Bolívia, em investigação por enriquecimento ilícito envolvendo Fernando Cerimedo, ex-assessor do presidente argentino Javier Milei. Beller pretende detalhar vínculos de Cerimedo com o governo do presidente Rodrigo Paz Pereira em esquemas de combustível, ouro e drogas.
Segundo a apuração, Cerimedo teria participado, com Bibi Urquidi, esposa do presidente boliviano, de um esquema para desviar 2 milhões de litros de combustível por dia da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). O produto seria vendido no mercado clandestino com acréscimo de um boliviano por litro, gerando cerca de 2 milhões de bolivianos diários, ou US$ 150 mil. O caso ocorre durante crise de abastecimento no país.
O promotor Carlos Torrez conduz a investigação de enriquecimento ilícito, que já incluiu cinco operações de busca. Foram localizados US$ 100 mil em diversas moedas e comprovantes de transferências para o exterior de aproximadamente US$ 400 mil. Em interrogatório, Cerimedo afirmou inicialmente receber US$ 1 milhão por mês, mas depois corrigiu a informação para US$ 1 milhão por ano.
Outra frente de investigação envolve a apreensão de 189 quilos de ouro, avaliados em US$ 25 milhões, no aeroporto de Viru Viru em 23 de julho. Um homem de 22 anos foi detido ao tentar embarcar para Dubai com documentação falsa. Beller afirma que o detido teria ligação com a filha do presidente, Catalina Paz, e que Cerimedo teria servido de elo para a operação.
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, confirmou apuração sobre tráfico de drogas no departamento de Beni. A suspeita é que uma propriedade em Santa Ana del Yacuma fosse usada para pousos de aeronaves com cocaína. Beller afirma que Cerimedo teria ajudado a impedir o rastreamento desses aviões por sistemas de radar.
A defesa de Cerimedo, representada por Margarita Arce, negou a existência de negócios ou contratos no país e afirmou que o consultor levou US$ 200 mil próprios de forma legal. O investigado, que está preso preventivamente, classificou a detenção como tentativa de golpe de Estado e negou receber instruções do presidente boliviano.

