Um ex-piloto da Voepass depôs à Polícia Federal (PF) sobre problemas de segurança que alertou durante anos, em relação à queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP). O depoimento do profissional, que possui 44 anos de carreira, foi destacado no relatório final da PF.
O ex-piloto relatou ter enviado cerca de 40 e-mails ao setor de segurança operacional da empresa, conhecido como Safety, sobre problemas nos componentes de degelo das aeronaves ATR. Ele afirmou não obter resposta aos seus relatos. Além disso, o profissional disse ter sofrido retaliações, como ser transferido de Brasília (DF) para Porto Alegre (RS) de forma abrupta, após questionar a segurança.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que sua corregedoria analisará os apontamentos feitos pela PF sobre a fiscalização da Voepass. A companhia, por sua vez, declarou que sempre priorizou a segurança operacional e colaborou com as investigações.
O profissional também mencionou que, antes da tragédia, participou de audiência pública na Anac, denunciando questões sobre escalas de trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) concluiu, em setembro de 2025, que o tempo reduzido de descanso da tripulação pode ter sido um fator contribuinte para o acidente.

