A Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovou, nesta sexta-feira (28), o uso do medicamento Mounjaro, da Eli Lilly, para a redução do risco de infarto ou derrame em pacientes com diabetes tipo 2 considerados de alto risco.
A decisão amplia a corrida entre fabricantes de fármacos à base de GLP-1 para expandir as indicações de uso. A concorrente dinamarquesa Novo Nordisk já havia obtido a aprovação da FDA em 2024 para o Wegovy, visando a redução de riscos cardíacos em adultos com obesidade ou sobrepeso que não possuem diabetes.
Outras aplicações estão em fase de teste. Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, com 48 adultos, indicou que a semaglutida — ingrediente do Ozempic e do Wegovy — reduziu o desejo semanal por álcool. A Universidade de Yale recruta 10 pacientes para avaliar a mesma substância em pessoas com obesidade que passaram por cirurgia bariátrica, com conclusão prevista para outubro de 2026.
No campo hepático, o Wegovy foi aprovado nos EUA em agosto de 2025 para tratar a esteatohepatite associada à disfunção metabólica (MASH). A Eli Lilly realiza estudo com 4.500 pessoas com alto risco de complicações graves no fígado, utilizando tirzepatida e retatrutida, com término programado para 2032. Em testes intermediários, a tirzepatida ajudou 74% dos pacientes a eliminar a MASH sem piora da cicatrização hepática.
A semaglutida também demonstrou eficácia na redução de peso e dor em 407 pacientes com osteoartrite moderada do joelho. Já no tratamento de distúrbios do sono, o Zepbound tornou-se, em dezembro de 2024, o primeiro medicamento aprovado pela FDA para tratar a apneia obstrutiva do sono.
Nem todos os testes avançaram. A Novo Nordisk informou que o Rybelsus não retardou o declínio cognitivo em 3.808 pacientes com Alzheimer em estágio inicial. A empresa interrompeu a extensão dos estudos após constatar que a melhora em alguns indicadores não reduziu a progressão da doença.

