A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou nesta quinta-feira (28) o uso do medicamento Mounjaro para reduzir o risco de eventos cardíacos, incluindo infartos, em pessoas com diabetes tipo 2. O fármaco, produzido pela Eli Lilly and Company, já possuía autorização para o controle do açúcar no sangue.
O Mounjaro atua sobre dois hormônios da classe incretina, o GLP-1 e o GIP. Em estudo enviado à FDA, pesquisadores compararam a incidência de eventos cardíacos em pacientes com diabetes tipo 2 que utilizaram o Mounjaro em relação aos que usaram o Trulicity, outro medicamento da Eli Lilly que atua apenas no GLP-1.
Os dados indicam que pacientes que utilizaram o Mounjaro apresentaram uma taxa 8% menor de infarto, derrame ou morte relacionada ao coração do que aqueles que tomaram o Trulicity. Em estudos anteriores, o Trulicity reduziu o risco de eventos cardíacos em 12% quando comparado ao uso de placebo.
Rachel Batterham, vice-presidente sênior de inovação médica e engajamento externo para saúde cardiometabólica da Eli Lilly, afirmou que a redução desse risco é fundamental, já que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em pacientes com diabetes tipo 2.
A empresa explicou que a decisão de comparar o Mounjaro com o Trulicity, que já possuía histórico de redução de riscos, visava verificar se o novo fármaco traria benefícios adicionais. Por esse desenho de estudo, os resultados não podem ser comparados diretamente ao Ozempic, da Novo Nordisk, ou ao Wegovy, ambos aprovados para reduzir o risco de doenças cardíacas em 20%.
A Eli Lilly realiza atualmente um estudo com pessoas que não têm diabetes tipo 2 e utilizam o Zepbound, versão do medicamento para perda de peso. A pesquisa busca apurar se o fármaco previne a ocorrência de primeiros eventos cardíacos ou evita a repetição de episódios em quem já sofreu um infarto. Batterham informou que os dados sobre pacientes sem diabetes estarão disponíveis no próximo ano.


