Um homem questiona a versão oficial do Estado peruano sobre o massacre de Uchuraccay, ocorrido há 43 anos. O episódio é registrado como o maior assassinato de jornalistas na história do Peru, e o relato do filho de uma das vítimas busca confrontar a narrativa estabelecida pelas autoridades.
O texto resgata a infância do narrador, que aos 11 anos tentou convencer o pai a deixá-lo acompanhar uma viagem. Na ocasião, o pai informou que visitaria a avó e que o trajeto seria rápido, negando o pedido do filho e ordenando que ele fosse dormir.
Mesmo diante da negativa, o menino preparou a mochila escondido. Ele acordou às seis da manhã, enfrentando o frio da região serrana, mas descobriu que o pai já havia partido.
Para evitar novas insistências do segundo de seus quatro filhos, o homem decidiu passar a noite em seu taller de imprenta. A estratégia serviu para evitar que tivesse que negar o pedido do filho mais uma vez antes de seguir viagem.
O relato pessoal serve de ponto de partida para desafiar a versão oficial sobre a matança de Uchuraccay, crime que vitimou profissionais de comunicação e que permanece como uma ferida aberta na história do jornalismo peruano.

