O lançamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi adiado para depois do pleito eleitoral. A obra é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram a origem de repasses financeiros, incluindo suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e o uso de emendas parlamentares.
A decisão de postergar a estreia foi tomada pelo diretor-geral da Europa Filmes, Wilson Feitosa. Ele afirmou que a estratégia baseia-se em experiências anteriores com produções em anos eleitorais e declarou que Flávio Bolsonaro não participa das definições comerciais do longa. A interlocução da distribuidora ocorre apenas com a produtora Go Up Entertainment.
A polêmica envolve mensagens em que Flávio Bolsonaro solicita dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para custear a produção. As conversas indicam que ao menos R$ 61 milhões foram pagos. Embora o parlamentar tenha prometido prestação de contas, a produtora contratou uma perícia particular que não mapeou a origem dos recursos vindos do fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos.
O perito Anisio Castelo Branco, presidente do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), informou que não tinha autorização para auditar o fundo estrangeiro, limitando-se aos gastos da Go Up. A Polícia Federal (PF) considera essa análise essencial para verificar se houve desvio no projeto artístico negociado entre o parlamentar e o banqueiro.
No STF, o caso divide-se em duas frentes. Sob relatoria do ministro André Mendonça, apura-se se dinheiro do Banco Master, envolvido em fraudes, foi enviado à produtora via Estados Unidos e se as verbas custearam despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
A segunda linha de investigação, conduzida pelo ministro Flávio Dino, apura o desvio de recursos públicos. Parlamentares relataram que deputados aliados do ex-presidente destinaram R$ 2,6 milhões em emendas Pix, em 2024, a uma ONG presidida pela sócia da produtora. Estão sob análise repasses dos deputados Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MT).
O ministro Flávio Dino autorizou que a PF acesse dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em operação que mirou a sócia da empresa produtora.

