Quase quarenta e quatro mil crianças em Goiás foram diagnosticadas com obesidade em 2025, de acordo com o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). O número representa 9,34% das 469.899 crianças avaliadas pela rede pública de saúde do estado.
O excesso de peso na infância está ligado a problemas metabólicos, como hipertensão, dislipidemia, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica. A cardiopediatra Mirna de Sousa afirmou que o acompanhamento do crescimento ajuda a identificar alterações em fases iniciais. Ela disse que é preciso acompanhar a evolução do crescimento, e não apenas o peso isoladamente.
O quadro de sobrepeso e obesidade se repete na população adulta goiana. Os resultados do Vigitel 2025 mostram que 63,3% dos homens e 62,6% das mulheres estão acima do peso. A obesidade adulta aumentou, passando de 22,8% em 2022 para mais de 25% no levantamento recente.
A endocrinologista Daniela Takamune explicou que a obesidade eleva a resistência à insulina, o que pode levar ao diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes em um tempo menor que em adultos. Ela detalhou que o organismo tenta compensar a resistência produzindo mais hormônio até o pâncreas falhar.
Sobre o tratamento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em 22 de abril de 2026 o uso da tirzepatida para diabetes tipo 2 em jovens de 10 a 17 anos. Contudo, essa autorização não abrange obesidade, e o uso para emagrecimento é considerado fora da indicação aprovada.


