O presidente Daniel Noboa governa o Equador com métodos autoritários, concentrando poder no Executivo e utilizando o sistema judiciário contra adversários. A estratégia visa impedir a oposição de apresentar candidatos nas eleições municipais de 29 de novembro de 2026.
A manobra política combina dois elementos. Primeiro, em março de 2026, um juiz do Tribunal de Contencioso Eleitoral (TCE) suspendeu o partido Revolução Cidadã (RC), principal movimento de oposição, por nove meses, medida ratificada pelo Tribunal Constitucional. Paralelamente, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) excluiu a Unidad Popular e o Construye do registro político, alegando falta de membros mínimos.
A segunda peça é o calendário. O CNE antecipou as eleições municipais, originalmente previstas para fevereiro de 2027, para 29 de novembro de 2026. Essa antecipação coincidiu com o período de suspensão da oposição, impedindo que o RC apresentasse listas de candidatos. Posteriormente, uma investigação de suposta lavagem de dinheiro contra o movimento RC levou à suspensão judicial por nove meses, pouco antes do prazo final de registro.
O contexto é marcado por graves violações de direitos. Em junho de 2026, o Equador foi classificado como de “alto risco” no Índice Global de Tortura, com 369 relatos de tortura e 51 desaparecimentos forçados atribuídos a agentes do Estado. Além disso, uma ativista anticorrupção foi encontrada morta em 8 de junho de 2026.

