Sistemas de inteligência artificial (IA) conseguem identificar padrões em mamografias que indicam risco de desenvolvimento de câncer de mama entre dois e 5,5 anos antes do diagnóstico por métodos convencionais. A tecnologia atua na detecção de características sutis que podem passar despercebidas por radiologistas, funcionando como ferramenta de apoio à análise médica.
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, classificou o software Allix5 como ferramenta destinada a prever o risco futuro da doença. O sistema calcula a probabilidade de desenvolvimento do câncer para os cinco anos seguintes a partir da análise de imagens, sem a finalidade de diagnosticar tumores já existentes.
Estudos retrospectivos com 2,4 mil mulheres que desenvolveram câncer invasivo mostraram que a IA identificou padrões de risco anos antes da confirmação clínica. Em outra pesquisa com 1.602 mulheres, 23% dos casos diagnosticados posteriormente já apresentavam a classificação máxima de risco pelo sistema quatro anos antes.
Um estudo publicado em janeiro de 2025 na Nature Medicine testou a tecnologia em um programa de rastreamento na Alemanha, envolvendo 461.818 mulheres entre 50 e 69 anos. A taxa de detecção subiu para 6,7 casos por mil mulheres com apoio da IA, contra 5,7 no grupo de avaliação convencional, representando um aumento de 17,6%.
A apuração indica que a tecnologia não substitui os médicos, mas reduz a carga de trabalho em programas de alto volume. No modelo alemão, a IA emitia alertas sobre regiões suspeitas da imagem que haviam sido ignoradas pelo radiologista, sem aumentar a taxa de convocação para exames complementares.
Dados da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde, registram 2,3 milhões de novos casos no mundo em 2022 e 670 mil mortes. Diante desse cenário, empresas como o Google Health desenvolvem redes neurais para reduzir falsos positivos e negativos em mamografias.
No Brasil, a startup Huna utiliza IA para identificar tumores por meio de exames de sangue, com mais de 500 mil mulheres rastreadas. Já a Linda Lifetech utiliza sensores infravermelhos e algoritmos em nuvem para comparar imagens da mama com bases de dados e localizar possíveis lesões.

