Cientistas desenvolveram um sistema de inteligência artificial, chamado CapuchinAI, para testar a cognição de macacos-prego-de-cara-branca em seu habitat natural. O modelo identifica os animais com 97% de precisão, aplicando tarefas em tela sensível ao toque.
Historicamente, dados sobre a cognição de primatas são coletados em laboratórios com condições restritivas. O novo sistema busca alterar esse método, levando os testes diretamente ao ambiente dos animais. Na Reserva Florestal de Taboga, na Costa Rica, os testes foram realizados com os macacos-prego-de-cara-branca.
Para iniciar a interação, os pesquisadores usaram um quadrado azul na tela que liberava banana ao ser tocado. Os primatas aprenderam rapidamente a associação entre o toque e a recompensa alimentar. Um dos coautores da pesquisa, Federico Sánchez, afirmou que foi possível observar os animais percebendo a relação entre a ação e o ganho.
A pesquisa também revelou diferenças individuais entre os macacos; alguns aprenderam mais rápido, enquanto outros observaram companheiros antes de interagir com o aparelho. Marcela Benítez, antropóloga coautora, explicou que estudar os animais em liberdade permite entender como o cérebro deles evoluiu em contextos complexos e competitivos.
O modelo foi treinado com imagens de seis indivíduos, mas o local de campo possui cerca de cem exemplares. As próximas fases incluem testar um software que ofereça tarefas adaptadas ao nível cognitivo de cada macaco, permitindo a retomada do teste em caso de interrupção da sessão.


