O iFood apresentou uma representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo a abertura de processo administrativo contra a Keeta, plataforma controlada pela chinesa Meituan. A empresa brasileira alega que a rival adota práticas predatórias ao subsidiar operações com capital da matriz para eliminar concorrentes no mercado nacional.
A representação, protocolada no domingo (30), sustenta que a Keeta opera com lucro negativo por pedido. Segundo o iFood, esse modelo de subsídios agressivos gera um crescimento artificial que não se sustenta no tempo, representando um risco sistêmico para restaurantes, entregadores e outras plataformas.
O vice-presidente jurídico do iFood, Lucas Pittioni, afirmou que a empresa precisa desviar recursos para enfrentar uma guerra de subsídios que não se baseia em tecnologia ou qualidade de serviço. Pittioni citou que autoridades em Dubai, Kuwait e Arábia Saudita já agiram preventivamente em casos semelhantes.
O iFood solicita ao Cade três medidas: a abertura de processo administrativo formal, a cessação imediata de preços abaixo do custo e o acesso periódico aos dados de precificação da Keeta para monitoramento do órgão antitruste.
Em resposta, a Keeta classificou a ação como uma estratégia monopolista para desviar a atenção de investigações anteriores sobre descumprimento de acordos de exclusividade com o Cade. A empresa afirmou que o iFood detém o monopólio do setor e demonstra medo da concorrência.
A plataforma chinesa defendeu que o uso de cupons é uma prática comum de mercado, inclusive utilizada pelo iFood, e que serve para incentivar a experimentação inicial. A Keeta, que iniciou operações no Brasil em outubro de 2025 com pilotos em Santos e São Vicente (SP), informou que ainda não foi notificada sobre a ação.
O processo se tornará público caso a Superintendência-Geral (SG) do Cade aceite a denúncia e formalize a abertura do sistema.


