O iFood protocolou nesta segunda-feira (31) uma representação formal no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para abrir um processo administrativo contra a Keeta. A empresa acusa a plataforma chinesa de adotar práticas predatórias no mercado brasileiro para eliminar concorrentes por meio de subsídios artificiais.
Segundo o iFood, a Keeta opera com lucro negativo por pedido no Brasil, utilizando capital da matriz na China para financiar a operação. A representação solicita que o órgão antitruste determine a cessação imediata da precificação abaixo do custo e garanta o acesso periódico aos dados de custos e precificação da plataforma para monitoramento independente.
A empresa afirma que a oferta de cupons de até R$ 250 e descontos de 80% aumenta a frequência de pedidos sem elevar o gasto real do consumidor. O iFood citou um estudo da Universidade Fudan sobre o mercado chinês em 2025, indicando que, durante a guerra de subsídios, o volume de pedidos subiu 7%, mas a receita efetiva caiu 4%.
De acordo com o iFood, esse padrão resultou no fechamento de restaurantes na China e em uma queda de renda mensal entre os entregadores que variou de 30% a 50%. A empresa argumenta que, no Brasil, restaurantes investem em capacidade para atender uma demanda artificialmente inflada.
A Keeta declarou que a ação é uma estratégia monopolista para desviar a atenção de investigações sobre descumprimento de acordos com o Cade relativos a cláusulas de exclusividade. A plataforma afirmou que o uso de cupons é uma prática comum do setor, inclusive utilizada pelo iFood por meio do Clube iFood.
A empresa chinesa informou que utiliza os cupons para incentivar a experimentação inicial e que foca na qualidade e confiabilidade para reter consumidores. A Keeta disse que ainda não foi notificada sobre a ação, mas que está disposta a fornecer as informações necessárias às autoridades.


