A Polícia Federal descobriu em conversas de WhatsApp a proximidade entre Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária Roberta Luchsinger. Os diálogos abordam a tentativa de intermediar a venda de produtos à base de cannabis para o Sistema Único de Saúde (SUS).
A investigação revelou uma minuta de contrato com dispensa de licitação entregue a Marco Aurélio. Roberta Luchsinger buscava viabilizar um acordo para a World Cannabis, empresa ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado pela PF como operador de desvios em aposentadorias. A lobista recebeu 1,5 milhão de reais para atuar no lobby do medicamento junto à pasta da Saúde.
Interlocutores de Marco Aurélio afirmaram que ele admitiu ter sido inadequado por receber a minuta, mas que o documento não avançou. O Ministério da Saúde confirmou em nota que a compra jamais ocorreu e que a substância não faz parte dos itens fornecidos pelo sistema público.
Os registros indicam que Roberta Luchsinger esteve dezenas de vezes em ministérios e no Palácio do Planalto entre 2023 e 2025. Além disso, a PF identificou que ela custeou boletos e presentes a pedido de Marco Aurélio, incluindo joias no valor de 9,2 mil reais para o Dia das Mães de 2024.
Nos diálogos com Fábio Luís Lula da Silva, o filho do presidente, a empresária projetava ganhos futuros fora do país, mencionando que a dupla trabalharia em “outro nível” com destino à Suíça. O filho do mandatário concordou, informando ter participado de reuniões com Marco Aurélio e secretários da Saúde.


