A desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 0,16% em junho reforçou a expectativa de um novo corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic na reunião do Copom de agosto. O dado, divulgado pelo IBGE, mostra queda na inflação, mas a escalada do preço do petróleo, ligada à tensão entre Estados Unidos e Irã, impõe cautela aos analistas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o resultado de junho representou forte desaceleração frente aos 0,58% registrados em maio. O acumulado em 12 meses caiu de 4,72% para 4,64%, mantendo-se acima do teto da meta de 4,5%. Analistas apontam que a composição do índice foi um fator positivo, com a média dos núcleos recuando de 0,45% para 0,21%, segundo André Valério, economista do Inter.
Apesar do alívio, o quadro exige cautela. Leonardo Costa, economista do ASA, declarou que o resultado representa um “alívio moderado, mas insuficiente para alterar de forma relevante o diagnóstico de política monetária”. Ele ressaltou que a inflação segue acima do teto e as expectativas permanecem desancoradas. Contudo, a chance de o Banco Central (BC) cortar 0,25 ponto em agosto cresce.
A principal ressalva dos especialistas reside no cenário externo. André Matos, CEO da MA7 Negócios, lembrou que o IPCA não captura a disparada do petróleo desta semana, com o barril próximo de US$ 80 após a nova tensão entre Estados Unidos e Irã. Ele afirmou que a preocupação maior passa a ser o “risco importado”, que pode contaminar combustíveis, fretes e câmbio.

