O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, entregou nesta quarta-feira (26) à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de colaboração premiada. O documento tem como alvo principal Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e detalha suspeitas de crimes financeiros em 17 anexos.
Mansur afirma que fundos administrados pela Reag foram utilizados em operações do Banco Master para desviar recursos e mascarar a saúde financeira da instituição. A estrutura teria contado com o uso de beneficiários conhecidos como laranjas, empresas de fachada e montagens no exterior.
A proposta prevê o pagamento de R$ 40 milhões em multas, montante que o empresário declara ter recebido da Reag enquanto dirigia a companhia. Embora tenha iniciado conversas com a Polícia Federal, Mansur decidiu concentrar a negociação do acordo com a PGR.
A Procuradoria-Geral da República avalia que os relatos de Mansur são mais consistentes que as informações prestadas anteriormente por Vorcaro, o que aumentaria as chances de concretização do pacto. Se aceito, o acordo precisará de homologação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Master.
A Reag Investimentos também é investigada pela Polícia Federal na Operação Carbono Oculto por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em janeiro de 2026.
O texto da proposta menciona ainda o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). Ambos negam qualquer irregularidade nas operações citadas pelo empresário.

