A crise do jornalismo transcende o modelo de negócios, sendo ameaçada pela Inteligência Artificial, pela concorrência de influenciadores e pela pressão das redes sociais. A função da imprensa, historicamente ligada à construção de reputações, sofre com a demanda por respostas imediatas e a polarização.
O modelo de negócios da imprensa corporativa sempre visou criar uma imagem forte para conferir credibilidade ao veículo. Segundo o ideólogo Ortega y Gasset, a primeira missão de um jornal era assegurar sua perenidade. No passado, a busca por leitores levou a imprensa a ceder a movimentos de linchamento, onde a primeira versão que apontava um culpado era a que atendia à demanda do leitor.
Com a consolidação das redes sociais, o cenário mudou. Além da pressão de anunciantes, há a pressão dos leitores em tempos de polarização. A profissionalização da publicidade, iniciada nos anos 90, permitiu que veículos como a Folha atendessem a diversos públicos. Contudo, a radicalização pós-2000 abriu espaço para a imprensa alternativa e, posteriormente, para blogs e portais.
A receita de plataformas como Google e YouTube tem diminuído, forçando o jornalismo a migrar para redes como Instagram e TikTok. Nesse ambiente, não há espaço para aprofundamento. O conteúdo se resume a notas curtas e a um festival de palpites, transformando jornalistas em influenciadores.
Para intelectuais, a rapidez das redes exige atualização diária, o que os leva a atuar como influenciadores, gerando uma guerra de narrativas que apela ao sentimento em vez do raciocínio. A Inteligência Artificial representa o próximo desafio para o setor.

