Um juiz militar dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (28) que depoimentos de Khalid Shaikh Mohammed ao FBI, colhidos em 2007 na base naval de Guantánamo, não podem ser usados como prova no julgamento dos ataques de 11 de Setembro de 2001, processo que prevê pena de morte.
O tenente-coronel Michael Schrama, da Força Aérea dos EUA, concluiu que a acusação não provou que as declarações foram voluntárias. A decisão de 45 páginas, ainda sob revisão de segurança, cita a continuidade da coerção psicológica exercida pela Agência Central de Inteligência (CIA) sobre o réu.
Schrama afirmou que agentes do FBI não informaram Mohammed sobre o direito de permanecer em silêncio, de consultar um advogado e de que suas falas poderiam ser usadas no tribunal. O réu foi capturado no Paquistão em 2003 e passou por prisões secretas e tortura antes de ser transferido para Guantánamo, em 2006.
A defesa argumenta que anos de isolamento e confinamento condicionaram Mohammed a dar as respostas esperadas pelos agentes. O contra-almirante Aaron C. Rugh, chefe dos promotores militares, informou que analisará a possibilidade de recurso. O prazo para a acusação decidir é de cinco dias, podendo ser prorrogado por mais cinco.
O início do julgamento foi marcado para 5 de junho de 2028 em comissão militar em Guantánamo. Além de Mohammed, serão julgados Walid Muhammad Salih Mubarak bin ‘Atash, Mustafa Ahmed Adam al Hawsawi e Ali Abdul Aziz Ali. O juiz negou o pedido da acusação para antecipar a data para janeiro de 2027.
Mohammed é apontado como o principal planejador dos ataques que mataram quase 3.000 pessoas em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia. Segundo a acusação, ele idealizou o sequestro de aviões comerciais e apresentou o plano a Osama bin Laden, então líder da Al-Qaeda.
O processo está nesta fase desde 2012. Em 11 de julho de 2025, um tribunal de apelação validou a retirada de acordos que permitiriam aos réus se declararem culpados para evitar a pena de morte. A Suprema Corte dos EUA ainda não decidiu se analisará recurso da defesa para restabelecer tais termos.

