Uma juíza federal dos Estados Unidos bloqueou temporariamente, nesta quinta-feira (27), a reforma do presidente Donald Trump que restringe o voto por correio. A magistrada Indira Talwani considerou que a aplicação das normas poderia privar milhares de eleitores do direito ao voto a pouco mais de dois meses das eleições legislativas de novembro.
A decisão suspende, por 14 dias, a imposição de requisitos do Serviço Postal dos EUA (USPS) sobre o formato de envelopes e dados de eleitores. O Departamento de Justiça deve notificar os funcionários do órgão em até 24 horas sobre a restrição. A medida ocorre após a Suprema Corte ter negado, na última segunda-feira, uma cautelar anterior por considerar que as normas finais ainda não haviam sido publicadas.
As novas regras dão ao USPS papel central na supervisão do processo. Estados precisariam submeter modelos de envelopes para aprovação e o serviço postal entregaria materiais apenas a pessoas em listas fornecidas pelas administrações estaduais. Trump ordenou, em março, que o Departamento de Segurança Interna e o USPS elaborassem relações de cidadãos aptos a votar em cada um dos 50 estados para evitar fraudes.
A decisão atende a um processo movido por 23 estados, pelo Distrito de Columbia, pelo governador da Pensilvânia e por organizações civis. Republicanos defendem que as medidas são necessárias contra fraudes, enquanto críticos afirmam que o objetivo é dificultar a votação por carta, modalidade mais utilizada por eleitores democratas.
O pleito de 3 de novembro definirá todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Como os republicanos possuem maiorias estreitas, o controle do Congresso pode depender de poucas disputas, o que impactaria a agenda política do governo. Uma nova audiência sobre o caso está marcada para o dia 3 de setembro.


