A Justiça da China condenou o artista Gao Zhen, de 70 anos, a três anos de prisão por criar obras que satirizam o ex-ditador Mao Tsé-Tung. O tribunal da cidade de Sanhe, na Província de Hebei, considerou que o homem atentou contra a honra de heróis e mártires nacionais.
Gao estava detido desde agosto de 2024, quando foi preso em seu estúdio nos arredores de Pequim durante uma visita ao país. Ele havia se mudado para os Estados Unidos dois anos antes da prisão. Em junho de 2025, a acusação formal foi apresentada por danos à reputação de figuras históricas do regime.
O tribunal aplicou a pena máxima prevista para o delito. Segundo a organização Chinese Human Rights Defenders (CHRD), as autoridades utilizaram de forma retroativa uma lei de 2021 para punir trabalhos produzidos entre 2005 e 2009. O artista decidiu recorrer da condenação e da sentença.
Conhecido por conteúdo político, Gao produziu, junto ao irmão Gao Qiang, obras sobre a Revolução Cultural e os protestos da Praça da Paz Celestial. Entre as peças estão a escultura A culpa de Mao, que mostra o ditador de joelhos, e A execução de Cristo, com estátuas de bronze de Mao apontando fuzis para Jesus Cristo.
A Anistia Internacional criticou a decisão. Sarah Brooks, diretora da entidade para a China, afirmou que a sentença ilustra a disposição do governo em dissuadir a expressão artística independente e intimidar outros criadores. Caso a condenação seja mantida, Gao Zhen deve permanecer preso até agosto de 2027.
A organização de defesa dos direitos humanos também condenou a punição de obras que questionam a narrativa oficial da história chinesa. O tribunal responsável pelo caso não respondeu aos questionamentos da imprensa internacional.


