A Justiça do Equador condenou, nesta sexta-feira (28), o ex-presidente Lenín Moreno a cinco anos de prisão por suborno. A decisão da Corte Nacional de Justiça, com sede em Quito, refere-se a um esquema de corrupção na construção da hidrelétrica Coca Codo Sinclair, obra executada pela empresa chinesa Sinohydro.
A Procuradoria-Geral informou que outras seis pessoas também foram condenadas, incluindo um ex-embaixador chinês e dois ex-gerentes da usina. A esposa e familiares de Moreno receberam penas de quase três anos de prisão por cumplicidade. O ex-governante, de 73 anos, afirmou que recorrerá da decisão de primeira instância.
Segundo a apuração da Procuradoria, a família de Moreno recebeu cerca de US$ 1 milhão em propinas pagas pela Sinohydro para favorecer a construção da obra, que começou a operar em 2016. O esquema ocorreu enquanto Moreno era vice-presidente de Rafael Correa, entre 2007 e 2013.
A empresa chinesa teria pago propinas no total de US$ 76 milhões, valor que corresponde a 4% do custo da obra. Ao tomar conhecimento da sentença, Moreno negou ter recebido qualquer quantia da Sinohydro.
O processo envolve cerca de 20 pessoas, entre elas diversos cidadãos chineses. Moreno, que utiliza cadeira de rodas, já atuou como enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra e representante da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Assunção.
O caso ocorre enquanto Rafael Correa, que governou o país até 2017, vive na Bélgica. Correa foi condenado à revelia, em 2020, a oito anos de prisão em outro processo de corrupção que envolveu a construtora brasileira Odebrecht.

