Um tribunal da Justiça Federal no Rio de Janeiro (TRF-2) suspendeu o bloqueio de R$ 3,7 bilhões em recursos do ex-CEO da Americanas, Sérgio Rial. A decisão ocorre no âmbito da segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal no fim de junho, e também suspendeu o bloqueio de até R$ 54 bilhões de outros sócios.
A suspensão do bloqueio de R$ 3,7 bilhões, que integra um processo sigiloso, foi antecipada por veículos de comunicação e confirmada pelo TRF-2. Além de Rial, foram suspensos os bloqueios de até R$ 54 bilhões de Beto Sicupira, acionista de referência, Eduardo Saggioro, presidente do conselho de administração, e Paulo Lemann, ex-membro do colegiado.
O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF), por meio de quatro procuradores do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), solicitou a suspensão do bloqueio de até R$ 54,2 bilhões ao TRF-2 em 20 de julho. Os procuradores argumentaram que não há provas de que os sócios de referência tenham participado ou tido conhecimento das irregularidades, citando o aporte de R$ 12 bilhões feito por eles durante a reestruturação da companhia.
A investigação da Polícia Federal apura uma fraude bilionária na varejista, baseada em delações de ex-diretores. A fraude sistemática utilizava operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) para inflar o lucro da companhia. Rial assumiu a presidência em janeiro de 2023 e renunciou após o escândalo contábil, que levou a Americanas à recuperação judicial no mesmo mês.


