O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, pela primeira vez em seus três mandatos, uma comitiva de familiares de mortos e desaparecidos políticos no Palácio da Alvorada. A reunião aconteceu na noite da última segunda-feira, durante uma sessão do filme “Honestino”, que retrata o líder estudantil assassinado pela ditadura.
A ocasião não foi uma audiência oficial, que já foi solicitada por parentes e militantes de direitos humanos sem sucesso anterior. Diva Santana, irmã de Dinaelza Coqueiro, militante morta pela ditadura, participou do encontro. Ela afirmou que o recebimento foi uma honra, e que o evento demonstra o que é possível no processo democrático. Santana também mencionou que a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) havia sido extinta no governo anterior.
Presentes no evento estavam Vera Facciolla Paiva, professora de psicologia da Universidade de São Paulo, e Eugênia Gonzaga, procuradora da República e presidente do colegiado da CEMDP. Eugênia Gonzaga entregou a Lula uma sacola bordada e um bottom com nome de operário assassinado pela ditadura. Na ocasião, a presidente da CEMDP mostrou ao presidente a certidão de óbito retificada de Honestino Guimarães, que indica “morte não natural, violenta, causada pelo Estado no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política no regime ditatorial instaurado em 1964”.
Em 2023, familiares e militantes haviam criticado o presidente pela demora na recriação da CEMDP e por ele ter dito que o tema da ditadura fazia parte do passado. Diva Santana declarou que ainda existe desgosto entre alguns familiares devido às tentativas de localizar corpos. Ela disse que a mobilização ganhou força após o filme “Ainda Estou Aqui”.


