A jornalista Maju Coutinho, de 48 anos, anunciou neste domingo (30) que espera seu primeiro filho com o artista plástico Agostinho Paulo Moura, de 61 anos. A revelação, feita via Instagram, motivou alertas de especialistas sobre os desafios biológicos e os cuidados médicos necessários em gestações tardias.
O ginecologista Igor Padovesi explicou que a chance de gravidez espontânea cai significativamente após os 35 anos. Aos 40, a probabilidade de concepção a cada ciclo é de 5% a 10%, mesmo em mulheres sem outros fatores de infertilidade e com parceiros saudáveis.
Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana, afirmou que a idade reduz a quantidade e a qualidade dos óvulos. Segundo o médico, ocorre um aumento de anormalidades genéticas chamadas aneuploidia, que consistem em óvulos com cromossomos em excesso ou em falta, o que eleva o risco de abortos espontâneos e de condições como a Síndrome de Down.
A gestação é classificada como de idade materna avançada a partir dos 45 anos. O ginecologista Carlos Campagnaro informou que isso não significa que a gravidez será problemática, mas exige um pré-natal mais criterioso. O organismo feminino passa por transformações no envelhecimento reprodutivo que impactam a fertilidade e o desenvolvimento fetal.
O acompanhamento médico para essas pacientes inclui monitoramento rigoroso da pressão arterial, controle glicêmico e do crescimento do feto. Há maior incidência de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e partos prematuros, além de maior probabilidade de necessidade de cesariana.
Campagnaro, professor do Unesc, disse que os avanços da medicina materno-fetal permitem identificar precocemente as complicações. Ele recomendou a adoção de hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e atividade física orientada, afirmando que a avaliação individualizada da saúde da mulher é o que determina o sucesso da gravidez.

