O Brasil registrou um salto no contrabando de medicamentos para emagrecer da classe GLP-1, com apreensões que passaram de 609 unidades em 2024 para 60.787 em 2025, segundo a Associação de Combate à Falsificação. O cenário gera alerta em autoridades de saúde devido a mortes suspeitas e complicações graves ligadas ao uso de produtos ilegais.
Entre 2018 e agosto de 2026, as autoridades brasileiras foram notificadas de 83 mortes sob investigação e mais de 3.600 complicações associadas a essas canetas. Mais de 60% dessas ocorrências foram registradas entre 2025 e 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou que o uso inadequado pode causar pancreatite aguda, condição que pode evoluir para formas fatais.
O banco de investimentos Itaú BBA estima que 51% das vendas dessa categoria no Brasil, em um mercado de R$ 36,8 bilhões, venham de fontes não rastreadas, como contrabando do Paraguai e farmácias de manipulação. A taxa de uso de GLP-1 no país é de 5,5% da população, superando a média global de 3,7%, segundo a Euromonitor International.
A Receita Federal interceptou, em abril, mais de 2.500 frascos de tirzepatida escondidos em potes de doce de leite em um ônibus de turismo. Outras apreensões ocorreram em escapamentos de motocicletas e solas de sapatos. O custo dos medicamentos regulamentados, que variam entre R$ 1.500 e R$ 1.749, impulsiona a busca por versões ilegais, que chegam a custar R$ 400.
Médicos relatam casos de constipação grave e necessidade de cirurgias intestinais em pacientes que utilizaram canetas de canais não oficiais. Especialistas alertam que o armazenamento inadequado e a exposição ao calor podem comprometer a eficácia e a segurança das injeções. A Anvisa também avisou sobre riscos de pneumonia durante anestesias, pois os fármacos retardam a digestão.
As fabricantes Eli Lilly e Novo Nordisk afirmaram apoiar o combate ao mercado ilegal para proteger a segurança dos pacientes. A Anvisa aprovou recentemente alternativas nacionais mais baratas, como o Ozivy, vendido por menos de R$ 500, na tentativa de reduzir a demanda por produtos contrabandeados.


