O ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, afirmou nesta segunda-feira (31) que organizações criminosas passaram a exercer funções legítimas do Estado nos territórios que controlavam. A declaração ocorreu durante um evento sobre segurança pública promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
Villatoro explicou que as facções submetiam moradores, cobravam extorsões e mantinham estruturas armadas. Segundo o ministro, as organizações não se limitavam a crimes comuns, mas exerciam controle social sobre as comunidades, fazendo com que os cidadãos recorressem aos líderes criminosos para resolver conflitos em vez de procurar a polícia ou a Justiça.
O ministro declarou que as facções possuíam mecanismos próprios de arrecadação financeira e um exército para garantir a dominância territorial. Para ele, essa característica diferenciava as organizações do crime organizado tradicional, pois elas usurpavam a nação e chegavam a ser mais eficientes na arrecadação de recursos.
As organizações criminosas contavam com mais de 40 mil integrantes, informou Villatoro. O ministro afirmou que os homicídios eram cometidos seguindo ordens da estrutura criminosa, definindo a organização como o inimigo da nação.
A estratégia do governo do presidente Nayib Bukele, do partido Nuevas Ideas, foca no combate a essas organizações como estruturas completas. O objetivo da gestão é recuperar os territórios sob controle das gangues e restabelecer a atuação do Estado nas regiões afetadas.


