A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou, nesta quarta-feira, 19, a convocação de uma reunião de emergência dos ministros das Relações Exteriores para debater a situação política da Nicarágua. A decisão foi tomada durante votação do conselho permanente, recebendo 29 votos favoráveis.
A reunião visa discutir os recentes movimentos do governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo, que buscam alterar as regras eleitorais do país. Uma reforma em discussão na Assembleia Nacional pode restringir a participação de políticos de oposição nas eleições.
A OEA declarou que os acontecimentos na Nicarágua configuram um problema urgente para os países americanos e criticou o governo, afirmando que a democracia no país sofreu profunda deterioração. A crise ocorre em meio ao avanço de uma reforma constitucional defendida pelo governo sandinista.
O Brasil foi o único país a votar contra a convocação, enquanto o México se absteve. O governo brasileiro, embora manifestasse preocupação com os princípios democráticos, defendeu o diálogo. O representante brasileiro na OEA afirmou que ainda há possibilidades de atuação no Conselho Permanente e na Secretaria-Geral da organização.
A organização já havia manifestado inquietação com o cenário nicaraguense. Em junho, a Assembleia Geral da OEA aprovou uma declaração que mencionou a erosão da ordem democrática e violações de direitos humanos no país.


