Cinquenta e quatro por cento das mulheres brasileiras apostam em plataformas online ou têm alguém da família que joga, aponta pesquisa. O levantamento, realizado pelo estúdio CLARICE em parceria com a Estratégia Latina e o IDEIA, mostra que a atividade afeta principalmente mulheres de classes sociais mais vulneráveis.
Quarenta e dois por cento das mulheres declararam apostar ou já ter apostado em plataformas digitais. Doze por cento não jogam, mas possuem um familiar que o faz. O estudo também revelou que quarenta e nove por cento dos brasileiros já realizaram esse tipo de aposta, sendo 56% dos homens os que mais jogam.
Para muitas mulheres, a aposta funciona como tentativa de complementar a renda. As razões mais citadas são buscar renda extra, com 21,5% dos entrevistados citando esse motivo, e ganhar dinheiro rápido, apontado por 19%. Beatriz Della Costa, fundadora e codiretora da CLARICE, disse que o jogo surge como promessa de acesso rápido à dignidade em meio às dificuldades orçamentárias, sobretudo nas classes D e E.
A cientista social relacionou o cenário às consequências econômicas da pandemia, que afetaram mulheres que perderam o emprego ou deixaram o mercado de trabalho para cuidar da família. O estudo indicou que quase metade das mulheres prefere cassinos online, como roleta e jogos temáticos, diferente dos homens, mais focados em apostas esportivas.
A entrada nesse universo é influenciada por redes de confiança. Vinte e quatro por cento das mulheres conheceram as apostas por meio de redes sociais, e vinte e três por cento por amigos. A pesquisadora ressaltou que a influência ocorre também por meio de vizinhos e parentes que compartilham links de apostas.


