Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram versões humanizadas da terapia com células T (CAR-T). O objetivo é criar um método de produção local mais barato e escalável para que o tratamento de câncer hematológico seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A terapia CAR-T consiste na coleta de células de defesa do próprio paciente, que são reprogramadas geneticamente para identificar e destruir o câncer antes de serem devolvidas ao organismo. No sistema privado de saúde, o custo total do tratamento varia entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões, valor influenciado por insumos caros e gastos hospitalares.
O estudo, publicado no periódico Frontiers in Immunology, validou dois novos produtos anti-CD19 humanizados gerados por um sistema não-viral. A modificação molecular torna a proteína de reconhecimento mais semelhante à humana, reduzindo a chance de o sistema imunológico do paciente eliminar a terapia por considerá-la estranha.
Em testes de laboratório, as versões humanizadas mataram células cancerosas com a mesma eficiência do tratamento original. Nos experimentos com camundongos, a versão batizada de H1 controlou a doença de forma duradoura, mantendo a sobrevida dos animais em patamares comparáveis aos da terapia convencional.
A versão H2 apresentou resultados inferiores, com ligação mais fraca ao alvo e sinais de esgotamento das células de defesa. Por isso, a variante H1 foi apontada como a mais promissora para avançar para a fase de testes em seres humanos.
A imunoterapia é considerada o quinto pilar do tratamento oncológico. Dados do periódico Blood Advances indicam que, em casos de linfoma difuso de grandes células B refratário, a sobrevida global em três anos saltou de 10% para 59% após a introdução da terapia CAR-T.
Martín Hernán Bonamino, pesquisador e chefe do Programa de Terapia Celular e Gênica do INCA, afirmou que os resultados buscam trazer esperança para pacientes com prognósticos desfavoráveis, especialmente aqueles atendidos pela rede pública.


