A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quinta-feira (27) que a estatal avalia a exportação de gás natural produzido no pré-sal. A operação prevê a liquefação do combustível em alto-mar e o transporte por navios especializados, visando atender a demanda crescente na Ásia.
A declaração ocorreu em Singapura, durante entrevista coletiva conjunta com a empresa Seatrium e a cerimônia de batismo das plataformas P-80 e P-82. As unidades, construídas pela companhia asiática, operarão no campo de Búzios, na Bacia de Santos, com previsão de início de produção em 2027. Cada plataforma poderá processar 12 milhões de m³ de gás por dia.
Para viabilizar a exportação, a Petrobras estuda o uso de unidades flutuantes de liquefação (FLNG), que poderiam ser fornecidas pela Seatrium. O equipamento resfria o gás a cerca de 162°C negativos, transformando-o em gás natural liquefeito (GNL) e reduzindo seu volume em 600 vezes para o embarque em navios metaneiros.
A liquefação em alto-mar surge como alternativa para volumes que hoje não podem ser transportados até a costa por falta de gasodutos ou instalações de processamento. Magda Chambriard disse que definir a forma de liquefação será o próximo passo da avaliação, mas não informou prazos ou valores de investimento.
No segundo trimestre de 2026, a produção de gás natural da estatal foi de 619 mil barris de óleo equivalente por dia, alta de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025. O volume cresceu 1% ante o trimestre anterior. O indicador inclui o gás reinjetado nos reservatórios para manutenção de pressão e recuperação de petróleo.
As vendas e o consumo interno de gás da companhia somaram 45 milhões de m³ por dia no segundo trimestre de 2026, alta de 7,1% em um ano. Desse total, a Petrobras entregou 38 milhões de m³ diários de gás nacional, importou 7 milhões de m³ da Bolívia e disponibilizou 1 milhão de m³ via regaseificação de GNL.


