A Polícia Federal (PF) concluiu que não há indícios de crime de violação de sigilo funcional por parte do jornalista Luís Pablo, nem provas de que ele recebeu pagamento para publicar reportagens desfavoráveis ao ministro Flávio Dino. O relatório, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), reabre o debate sobre os limites da liberdade de imprensa.
A investigação começou após o jornalista publicar matérias questionando o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino. Em março, o ministro do STF autorizou buscas contra Luís Pablo, alegando que sua conduta configurava crime de perseguição e ameaçava a integridade do magistrado.
Apesar de afastar a responsabilidade criminal do repórter, os investigadores focaram nas fontes das informações. A PF identificou uma transferência de R$ 100 mil realizada pelo advogado Diogo Diniz Lima para a compra de um imóvel rural adquirido pelo jornalista. O documento apontou uma vinculação através de Luís Pablo, mas afirmou não ser possível confirmar que o valor era pagamento por matérias jornalísticas.
O repórter declarou que as notas fiscais da Assembleia Legislativa do Maranhão encontradas em seus arquivos se referem a pagamentos regulares por anúncios publicitários. Paralelamente, a PF investiga Raimundo Cutrim, apontado como responsável pelo vazamento de dados de deslocamento de Dino, no contexto de fraudes em licitações no estado.

