A Polícia Federal indiciou o delegado Rodrigo Teixeira, ex-diretor administrativo do órgão, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de investigações sobre organização criminosa. Teixeira é um dos principais alvos da Operação Rejeito, que apura crimes no setor de mineração em Minas Gerais e na Agência Nacional de Mineração (ANM).
Outras nove pessoas foram indiciadas, incluindo uma delegada da PF suspeita de intimidar uma empresa concorrente de Teixeira. O relatório policial afirma que o delegado manteve atuação oculta no mercado minerário por meio de empresas interpostas e articulações com empresários investigados enquanto ocupava cargos na cúpula da instituição.
Teixeira foi diretor administrativo da PF nacional entre janeiro de 2023 e março de 2024, cargo considerado o terceiro mais importante da estrutura no governo atual. Ele chegou a ser preso preventivamente em setembro de 2025. A investigação também cita relações com Gilberto Horta Carvalho, lobista preso no ano passado e indiciado por lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, o delegado criou e geriu uma empresa de mineração e foi sócio de outra, utilizando o cargo para vazar informações sigilosas e interferir em inquéritos. Em troca, empresas teriam obtido direitos minerários que já renderam mais de R$ 4 milhões, com potencial de chegar a R$ 27 milhões, segundo a perícia.
A Polícia Federal descreve Teixeira como um servidor que vendeu a função pública para assegurar vantagens e proteção ao grupo criminoso, utilizando seu prestígio e rede de influência institucional. O delegado também atuou como superintendente da PF em Minas Gerais entre 2018 e 2019 e foi secretário-adjunto de Defesa Social no governo de Fernando Pimentel.
O advogado de Teixeira, Bruno Cesar, afirmou em nota que o relatório da PF ignora depoimentos de outros delegados que afastariam a tese de obstrução de investigações. A defesa classificou as acusações como “factoide” e alegou que o documento carece de substrato probatório.
Em relatório de junho, a PF também indiciou Mauro Sousa, diretor-geral da ANM desde 2022, por suspeita de integrar associação criminosa para exploração ilegal de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. Sousa nega as irregularidades.

