A Polícia Federal investiga a Casas Bahia por possível manipulação contábil. A apuração visa verificar se sistemas internos da varejista ocultaram juros de vendas parceladas nos relatórios de faturamento, diminuindo assim os bônus pagos aos gerentes de loja.
O caso ocorre enquanto a companhia enfrenta grave crise financeira e cumpre processo de recuperação judicial. A varejista anunciou um plano de reestruturação que inclui o fechamento de 298 lojas e cortes de entre 1,9 mil e 3 mil funcionários.
Os sistemas internos da empresa, usados para acompanhar metas e remuneração variável, estão no centro da investigação. Suspeita-se que ferramentas como PRWEB e Looqbox apresentassem apenas o valor à vista dos produtos, ignorando os encargos das compras parceladas. Se a hipótese for confirmada, o faturamento usado para avaliar o desempenho estaria abaixo do valor real movimentado.
Gerentes relataram não receber integralmente as premiações. Eles alegaram que os juros cobrados em carnês pertenciam a bancos parceiros. Contudo, documentos da PF, incluindo ofícios do Banco Central e do Bradesco, indicam que a Casas Bahia gerenciava as operações de crédito por carnê, e que a parceria bancária não cobria esse tipo de transação.
A investigação da PF avalia se houve fraude ou falsificação de dados nos sistemas. Os investigadores também observam se a prática se repetiu em lojas da empresa em diferentes regiões do país. A apuração segue em andamento, e a existência da investigação não implica culpa da companhia ou de seus colaboradores.

