Uma operação policial desarticulou um esquema de pirâmide financeira ligado a uma igreja evangélica. A ação, batizada de Golpe da Fé, cumpre trinta e oito mandados de busca e apreensão em várias cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. O golpe prometia aos fiéis rendimentos de até 10% ao mês e teria causado prejuízo superior a R$ 1 milhão.
As investigações da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) revelaram que o líder religioso usava sua posição para obter a confiança de pessoas. Ele convencia as vítimas a investir em uma plataforma chamada “Banco do Pastor”. O delegado Vinícius Miranda disse que o líder utilizava o púlpito como um balcão de negócios.
Após a captação dos recursos, os pagamentos prometidos cessaram. Agentes identificaram pelo menos sete registros de ocorrência relacionados ao esquema. A estrutura criminosa era complexa, envolvendo divisão de tarefas entre captadores, operadores financeiros e pessoas físicas e jurídicas para movimentar o dinheiro.
O quadro societário da empresa do suposto banco digital levantou atenção. Embora o capital social declarado fosse de R$ 5 milhões, alguns sócios não demonstravam capacidade financeira compatível com os valores. Isso aponta para o possível uso de laranjas para esconder os verdadeiros controladores. Os valores arrecadados foram direcionados a contas pessoais do alvo principal e a empresas ligadas a ele, incluindo setores de construção civil e consultoria.


