A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois representantes do Goldman Sachs por suspeitas de estelionato e fraude. A investigação apura se informações sobre a participação acionária do banco americano foram usadas para afastar a obrigação de realizar uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) aos acionistas minoritários da Oncoclínicas.
Segundo a Polícia Civil, os representantes do banco americano participaram de uma estrutura que deu suporte a uma nova interpretação sobre a composição societária da Oncoclínicas. Essa versão teria surgido quando uma reorganização poderia acionar a cláusula de OPA, prevista no estatuto da empresa, que exige a oferta total de ações quando um investidor atinge 15% do capital.
A discussão ganhou força após o fundo Centaurus deter 16,05% da Oncoclínicas em novembro de 2024. Acionistas minoritários questionaram por que o limite estatutário não gerou a oferta. A tese policial aponta que dados apresentados posteriormente sustentaram que a OPA não era necessária, levando regulador, bolsa e acionistas a uma interpretação equivocada.
Em contraste, a área técnica da CVM, em parecer de 30 de junho, concluiu que a Centaurus já possuía participação indireta superior a 15% antes do IPO, por meio de estrutura de coinvestimento desde 2018. A SRE avaliou que as reorganizações posteriores apenas redistribuíram uma posição já existente, não configurando entrada de novo investidor.


