O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira (28), em discurso no simpósio de Jackson Hole, que a inflação não está desacelerando de forma significativa. Warsh reiterou que a meta de 2% é firme e inalterável, defendendo que o controle de preços deve ser o foco predominante da instituição.
Segundo Warsh, os formuladores de política monetária precisam ter confiança de que a inflação subjacente caminha para o objetivo com velocidade suficiente. O presidente do banco central dos Estados Unidos declarou que, caso contrário, a instituição ainda terá trabalho a fazer. Ele afirmou que a estabilidade de preços não acontece automaticamente e é responsabilidade do Fed garanti-la.
O dirigente argumentou que as condições financeiras atuais não são restritivas e que os juros permanecem como a principal ferramenta para cumprir o mandato do órgão. Embora tenha admitido que dados de PCE e CPI deste verão vieram melhores que o esperado, Warsh disse que as tendências subjacentes não melhoraram de forma significativa.
As declarações ocorrem após críticas de economistas e agentes de mercado à estratégia de comunicação enxuta de Warsh, que teria oferecido pouca clareza sobre as perspectivas de curto prazo. O discurso nesta sexta-feira trouxe mais detalhes sobre a visão do presidente para a economia e as prioridades da liderança.
O cenário ocorre em meio a divisões entre economistas sobre a necessidade de novas altas de juros. Na reunião de julho, o Fed manteve as taxas inalteradas, quinta vez consecutiva após três cortes no fim de 2025. Contudo, a ata do encontro mostrou que vários dirigentes defenderam a elevação dos juros caso a inflação não recuasse.
Indicadores recentes apontam desaceleração da atividade econômica, com queda nas vendas no varejo em julho e cortes inesperados de vagas de emprego. Na manhã desta sexta-feira, contratos futuros de Fed Funds indicavam 36% de probabilidade de aumento de juros em setembro, valor abaixo dos 70% registrados no fim de julho.

