O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, figura em investigações sobre o orçamento secreto, mecanismo de distribuição de recursos públicos. O parlamentar movimentou mais de R$ 1,2 bilhão em emendas para o Amapá entre dois mil dezenove e dois mil vinte e seis.
As apurações da Polícia Federal sobre o manejo de recursos públicos geraram desconforto no senador. Alcolumbre classificou o avanço das investigações contra aliados como perseguição política, reclamando com a cúpula da corporação sobre vazamentos à imprensa. As investigações se intensificaram após a apuração de irregularidades na gestão de recursos da Previdência do Amapá, envolvendo aplicações no Banco Master.
A tensão política se acentuou no primeiro semestre deste ano. O senador tratou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como opositor após o veto do Senado à indicação do advogado-geral da União para o Supremo Tribunal Federal. Na ocasião, Alcolumbre queria indicar outro colega, mas o presidente manteve a escolha de confiança.
Após meses de distanciamento, as duas autoridades se reuniram em um encontro intermediado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O diálogo, que começou com a resolução de desentendimentos passados, terminou com o senador destravando pautas importantes para o governo, como a fim da escala de trabalho 6×1 no Senado.

