Os programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentam promessas sem detalhar como o país financiará suas despesas públicas, segundo economistas que analisaram os textos. A questão do equilíbrio fiscal será central nos próximos anos, independentemente do resultado eleitoral.
Analistas indicam que nenhum dos planos deixa clara a forma de lidar com o orçamento nacional. Sergio Vale, da MB Associados, observou que é comum que temas impopulares fiquem fora dos planos. Ele mencionou que o programa de Flávio Bolsonaro apresenta incoerência ao prometer cortes de gastos e impostos, ao mesmo tempo em que indica aumento de despesas em segurança pública e infraestrutura.
Gustavo Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirmou que os documentos mostram apenas os aspectos populares. Ele detalhou que o plano de Lula reforça um perfil de Estado intervencionista, enquanto o de Flávio tenta se posicionar como liberal, mas sem especificar quem arcará com os ajustes financeiros.
Tatiana Pinheiro, consultora da FGV, notou que o plano de Lula é menos específico que o de 2022, apesar de apresentar o arcabouço fiscal como medida de equilíbrio. Ela frisou que o plano petista promete intensificar programas sociais sem indicar fontes de financiamento, e a reforma da Previdência não é mencionada de forma clara.
Juliana Inhasz, do Insper, descreveu o plano de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de se aproximar do presidente da Argentina, Javier Milei, com um discurso liberal, mas moderado para atrair eleitores indecisos.


