Um promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre e um juiz do Tribunal de Justiça do Acre foram alvo de comentários homofóbicos após divulgarem em redes sociais o anúncio de seu casamento. Os dois oficiais celebram a união há dois anos, tendo realizado a cerimônia na última terça-feira (11), em São Miguel dos Milagres, Alagoas.
O promotor, Thalles Ferreira, afirmou que a exposição do momento de celebração despertou manifestações de ódio. Ele relatou que, como promotor de Justiça, sentiu-se compelido a responder a algumas pessoas. “Nós, um promotor de Justiça e um juiz, fomos vítimas de ataques homofóbicos nas redes sociais simplesmente porque decidimos celebrar publicamente a nossa união”, declarou Ferreira.
O promotor, que atua há dez anos na defesa dos Direitos Humanos do MP-AC, detalhou que identificou perfis e guardou informações sobre os ataques. Ele pontuou que a violência não pode ser vista como algo normal. “Uma mensagem homofóbica não é apenas uma opinião infeliz lançada na internet. Ela integra uma estrutura de exclusão que constrange, humilha, adoece e, em situações extremas, mata”, contou.
O juiz Caique Cirano Di Paula não se manifestou sobre o caso. Ferreira esclareceu que o casal não atua em processos juntos. Ele complementou que sua decisão de responder aos ataques se deu por sua atuação profissional na defesa dos direitos. “Minha atuação profissional sempre me ensinou que direitos somente permanecem vivos quando alguém decide defendê-los — inclusive quando isso exige falar da própria dor”, explicou.

