O valor das apreensões de canetas emagrecedoras realizadas pela Receita Federal saltou de R$ 4 milhões para mais de R$ 80 milhões no primeiro semestre de 2026. O montante é 20 vezes superior ao registrado entre janeiro e junho de 2025, reflexo do aumento da entrada irregular desses medicamentos no Brasil.
Os dados foram apresentados no seminário Mercado Ilegal, realizado em Brasília. Segundo Erivelto Moysés Torrico Alencar, superintendente regional adjunto da 1ª Região Fiscal da Receita Federal, a entrada desses produtos depende de regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Itens sem registro ou autorização de comercialização não podem ingressar legalmente no país.
Alencar afirmou que a concorrência desleal prejudica o empresário, a economia e a sociedade, que adquire produtos sem qualidade ou segurança. A Receita Federal também identificou a expansão da oferta irregular em plataformas de marketplace, com anúncios de vendedores não autorizados, o que indica falhas no controle dessas empresas.
Em Foz do Iguaçu, as apreensões dispararam. Entre maio e dezembro de 2025, foram retidas 7.479 unidades de ampolas e canetas. Em 2026, o número já soma 71.860 unidades, alta de 860,8%. Para combater o crime, a Anvisa e a Dinavisa, autoridade sanitária do Paraguai, assinaram acordo de troca de informações, compartilhamento de testes laboratoriais e apoio em fiscalizações de fronteira.
Paralelamente, cresce a oferta de produtos regularizados. Em julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas de semaglutida — Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema — e concedeu os primeiros registros de genéricos da substância. A agência adotou um modelo de avaliação otimizada para acelerar a análise de pedidos.
Leandro Safatle, presidente da Anvisa, informou que o Brasil possui atualmente o maior número de canetas emagrecedoras regularizadas entre as principais agências reguladoras internacionais.


