O ex-policial militar Ronnie Lessa, que cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, revelou detalhes sobre a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em entrevista exibida nesta quinta-feira (27), Lessa afirmou que a ambição financeira e a promessa de uma sociedade para a implantação de uma milícia motivaram o crime.
Lessa declarou que recebeu a proposta de ganhar R$ 25 milhões e a entrega de 250 lotes de 100 mil cada. Segundo o ex-PM, o mandante do assassinato, Domingos Brazão, alegou que a vereadora precisava sumir porque impediria a construção de um condomínio na região.
Sobre a dinâmica do ataque, o executor explicou que Élcio de Queiroz dirigiu o veículo até o Alto da Boa Vista, já que Lessa não consegue conduzir carros com embreagem por não ter a perna esquerda. Ele relatou ter recuado o banco para ter maior mobilidade e disparou contra as vítimas com uma submetralhadora após o carro emparelhar no sinal.
O ex-policial afirmou que Marielle e Anderson foram as únicas pessoas inocentes que matou em sua trajetória. Lessa disse que, logo após a fuga, passou a beber compulsivamente ao saber da morte do motorista por meio de imagens mostradas por um garçom em um estabelecimento comercial.
Durante o depoimento, Lessa mencionou que houve uma tentativa anterior de atacar o ex-deputado Marcelo Freixo, mas recusou a missão devido ao número de seguranças que acompanhavam o político. Ele afirmou ainda que a polícia estava comprada e citou que Rivaldo Barbosa teria sido acionado para resolver problemas relacionados ao caso.
Ao falar sobre sua carreira na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) e no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Lessa disse que a instituição obrigava o agente a entrar na ilegalidade. O ex-PM afirmou ter participado de operações que podem ter resultado na morte de mil pessoas ao longo de 20 anos de atuação no Rio de Janeiro.


