O ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou, em entrevista concedida a um programa de televisão nesta quinta-feira (27), que o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes foi motivado pela interferência da parlamentar em esquemas de grilagem de terras na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Lessa declarou que a vereadora incomodava a cúpula de bicheiros da região, especialmente Rogério de Andrade, ao tentar impedir a construção de condomínios. O ex-policial disse que sua parte no negócio envolvia 250 lotes de R$ 100 mil cada, totalizando R$ 25 milhões. Outro ex-PM envolvido, Edimilson da Silva de Oliveira, conhecido como Macalé, também receberia 250 lotes, enquanto outros 500 seriam divididos entre bicheiros não identificados.
Durante a conversa, Lessa revelou que o alvo original do grupo era o então deputado federal Marcelo Freixo, embora tenha negado que participaria de um atentado contra o político. Ele definiu a execução de Marielle e Anderson como uma “overdose de ganância” e admitiu ter estado entorpecido pelo dinheiro na época do crime.
O ex-policial descreveu a dinâmica do ataque ocorrido em 14 de março de 2018, na Zona Norte da cidade. Lessa relatou que aguardou a saída da vereadora da Casa das Pretas com o banco do carro rebatido para disfarçar a ação. Segundo ele, disparou assim que emparelhou o veículo, momento em que Élcio de Queiroz acelerou. Lessa afirmou ter descoberto a morte de Anderson por meio de um garçom.
Ambos foram condenados em 31 de outubro de 2024. As penas foram posteriormente aumentadas para 81 anos e 10 meses de prisão para Lessa e 76 anos e 6 meses para Élcio de Queiroz. Lessa, que atuou no Bope e foi cedido à Polícia Civil por dez anos, alegou que a própria instituição policial o levou à ilegalidade.
O ex-militar confirmou ter fechado sociedade com Rogério de Andrade em 2018 para abrir um bingo na Barra da Tijuca, mas negou ter recebido salário do bicheiro.


