A Prefeitura de São Paulo planeja realizar 174 obras de drenagem nos próximos 16 anos, com investimento estimado em R$ 16 bilhões, para adaptar a capital a eventos climáticos extremos. O anúncio ocorreu durante painel sobre mudanças climáticas na Convenção Secovi, que reuniu gestores públicos e especialistas em sustentabilidade.
O secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, Marcos Monteiro, informou que a administração elaborará 58 cadernos de drenagem para mapear as bacias hidrográficas da cidade. O objetivo é identificar pontos vulneráveis e definir intervenções prioritárias com base no avanço da impermeabilização do solo e projeções climáticas. Desde 2021, o município investiu R$ 10,4 bilhões em canalizações e reservatórios.
A vulnerabilidade da capital é agravada pelo fato de cerca de 70% da cidade ser impermeabilizada, segundo dados apresentados no evento. Hassan Barakat, gerente do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), afirmou que essa característica favorece alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos durante chuvas intensas. Barakat disse que o número de pontos fixos de alagamento caiu de 600 para a faixa de 420 a 430.
O debate trouxe a experiência de Copenhague, na Dinamarca, que utiliza praças e parques para armazenar água temporariamente durante tempestades. Ian Rasmussen, diretor de projetos do Centro de Adaptação Climática de Copenhague, explicou que a cidade adotou a política após chuvas em 2011 causarem prejuízos superiores a US$ 1 bilhão. A capital dinamarquesa possui mais de 250 projetos que combinam lazer com controle de enchentes.
O botânico Ricardo Cardim defendeu a ampliação da arborização como infraestrutura climática para combater ilhas de calor. Cardim afirmou que uma árvore adulta de grande porte pode liberar 400 litros de água na atmosfera e retardar o escoamento da chuva. Ele citou a implantação de uma floresta de bolso no Brás como exemplo de recuperação ecossistêmica em áreas densamente urbanizadas.
O impacto financeiro da adaptação também foi discutido pelo setor imobiliário. Patrícia Bittencourt, diretora de sustentabilidade do Secovi-SP, disse que fatores como permeabilidade do solo e eficiência energética devem integrar o planejamento de novos empreendimentos. Lucas Vasconcelos, do Itaú Unibanco, afirmou que imóveis incapazes de responder às condições climáticas podem perder valor de mercado e se tornar ativos difíceis de comercializar.

