A presidente do México, Claudia Sheinbaum, apresentou nesta quinta-feira (27) uma proposta de reforma constitucional para proibir a dupla nacionalidade de quem aspire a altos cargos executivos de eleição popular, incluindo a presidência, governos estaduais e a chefia do governo da capital.
A legislação atual exige que o presidente seja mexicano de nascimento e renuncie a qualquer outra nacionalidade. A nova iniciativa amplia esse requisito, exigindo que a renúncia ocorra antes mesmo da inscrição da candidatura. A norma vigente não definia a situação de quem já possuía outra nacionalidade na eleição nem impedia a solicitação de novas cidadanias durante o mandato.
Sheinbaum afirmou, em coletiva de imprensa, que o objetivo é garantir que quem deseje ocupar tais cargos seja somente mexicano. A chefe de Estado declarou que um governador com dupla nacionalidade possui dois interesses e que, nessa condição, não fica claro se o interesse supremo é o nacional.
O governo mexicano tem acusado a oposição de servir a interesses dos Estados Unidos em situações que classifica como ingerência. A expectativa é que a maioria governista no Congresso aprove as mudanças sem dificuldades.
A proposta ocorre após o anúncio de Francisco García Cabeza de Vaca, que pretende disputar a presidência em 2030. Ex-governador de Tamaulipas, ele possui nacionalidade americana e está nos Estados Unidos, foragido da justiça mexicana por crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele nega as acusações e diz ser perseguido politicamente.
Ao ser questionada sobre as aspirações do opositor, Sheinbaum disse que é muito difícil lançar uma candidatura a partir de outro país.

