A indústria mineira de ferro-gusa corre risco de paralisação de cerca de 55% das usinas brasileiras caso seja confirmada a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos. O ferro-gusa, insumo vital para a siderurgia, é o segundo produto mais exportado por Minas Gerais para o mercado norte-americano.
A ameaça tarifária surge após a indústria já enfrentar os impactos de uma tarifa de 10% estabelecida pelos EUA em 2025. Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), a nova sobretaxa pode paralisar a maior parte da produção nacional. A especialista em gestão financeira Adriana Melo explicou que a vulnerabilidade recai sobre produtos que não foram excluídos das exceções, como o ferro-gusa, além de madeira processada e calçados.
Em 2025, os Estados Unidos importaram 5,3 milhões de toneladas do produto, sendo 3,3 milhões provenientes do Brasil. A produção nacional é concentrada em Minas Gerais, que possui 48 usinas e 63 fornos, responsáveis por cerca de 70% da capacidade instalada do país. A especialista Melo afirmou que os maiores impactos atingirão empresas com alta dependência do mercado americano e margens insuficientes para absorver o aumento de 25%.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) definirá seu parecer sobre a imposição da tarifa nesta quarta-feira (15). A medida decorre de uma investigação baseada na Seção 301, que acusa o Brasil de práticas comerciais prejudiciais, como regras de comércio digital e propriedade intelectual.

