O supertelescópio espacial James Webb detectou evidências de um evento catastrófico ocorrido há bilhões de anos nas luas e anéis de Netuno. A análise de minerais argilosos em Proteu, Larissa e Galateia sugere que um corpo celeste grande provocou destruição antiga no sistema.
Pesquisadores identificaram minerais argilosos nas três pequenas luas de Netuno, o que indica contato prolongado entre água líquida e rocha. Segundo a cientista planetária Ryleigh Davis, esses minerais não poderiam ter se formado no ambiente frio e pequeno das luas, precisando vir de um corpo maior.
A equipe sugere que Tritão, o maior satélite de Netuno, foi o responsável pelo cataclismo. Há cerca de 4,5 bilhões de anos, a atração gravitacional de Netuno capturou Tritão, que se originava no Cinturão de Kuiper. Essa captura gerou agitação gravitacional, causando colisões entre as luas originais.
Davis explicou que os interiores das grandes luas geladas costumam estar ocultos sob camadas de gelo de água. As luas internas de Netuno, contudo, podem ser o único local do Sistema Solar onde esse material é visível, pois o evento catastrófico expôs seus interiores.
A trajetória de Tritão, que orbita em direção oposta à rotação de Netuno, reforça a teoria de que ele foi capturado. Davis afirmou que Netuno é o único planeta gigante sem um sistema ordenado de grandes satélites regulares, diferentemente de Júpiter, Saturno e Urano.


